Na “Economia da atenção”, o seu foco é muito valioso

No mercado premium, foco é estratégia. Em 1971, o economista Herbert Simon formulou uma teoria que parecia abstrata naquele momento, mas hoje pode ser vista como uma profecia: a riqueza de informações cria pobreza de atenção. Ele estava descrevendo o futuro que chegou com notificações, rolagem infinita e um contador de curtidas piscando no canto da tela.

Esse raciocínio deu origem ao que hoje se chama de “Economia da Atenção” um conceito que descreve a atenção humana como um recurso escasso e, por isso, economicamente valioso. Em 1997, o pesquisador Michael Goldhaber aprofundou a ideia ao propor que a atenção, e não o dinheiro, seria a verdadeira moeda da economia digital. Em 2016, Tim Wu mostrou, em The Attention Merchants, como esse modelo não é novo: remonta aos jornais de 1833, que vendiam circulação para anunciantes. O que mudou foi a escala e a sofisticação da captura.

 

Tenho trabalhado na área de comunicação há décadas. Comecei com a máquina de escrever, quando uma reportagem exigia dias de apuração, fontes reais e um texto que não te interrompia a cada três minutos. Esse tempo de foco profundo produzia um tipo de trabalho que hoje se tornou raro, e por isso mesmo, muito mais valioso.

 

O que mudou não foi a nossa capacidade de pensar, foi o ambiente em que tentamos refletir.

 

As plataformas digitais não foram desenhadas para nos informar, na verdade foram estrategicamente estruturadas para nos manter dentro delas o maior tempo possível. A rolagem infinita elimina o ponto de parada natural, a reprodução automática começa o próximo vídeo antes mesmo que o nosso cérebro processe o anterior e as notificações ativam os mesmos circuitos neurológicos que uma máquina caça-níquel. É design de manipulação.

 

E as métricas de vaidade, curtidas, visualizações, seguidores, são o produto mais refinado desse sistema. Elas criam uma ilusão de relevância que se alimenta da nossa necessidade humana de validação. Para mulheres que constroem carreiras de alto padrão, isso tem um custo particular: a energia gasta monitorando números que não se convertem em clientes, em projetos ou em crescimento real é energia subtraída do trabalho que realmente importa.

 

O custo da energia humana é alto e a ansiedade é o efeito fisiológico de um sistema projetado para gerar dependência.

 

Autocuidado, para as mulheres 40+, não é spa e smoothie verde,  embora esses também sejam bem-vindos. O autocuidado fundamental é proteger o foco. É aprender a dizer não para a urgência fabricada das notificações e reconhecer que o tempo de atenção profunda, aquele em que se pensa com clareza e se toma decisões com critério, não se recupera rolando o feed por mais uma hora.

 

No mercado premium, o que diferencia uma profissional é exatamente o que as plataformas tentam fragmentar: a capacidade de pensar com profundidade, de comunicar com precisão e de construir um projeto perene. Isso não se faz com foco fragmentado em dez abas abertas e seis notificações pendentes.

 

A pergunta que eu me faço, e que deixo aqui, não é quantas curtidas o seu último post teve. É quantas horas da sua semana você se dedicou a pensar, criar e decidir sem interrupção. Essa é a métrica que constrói carreiras e negócios. As outras são apenas ruído.

 

 

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SOBRE

márcia ávila

Jornalista e Publicitária. Fudadora e Editora da Magazine Lifestyle. Márcia possui vários cursos na área de Comunicação, pós-graduação em
Gestão Organizacional (Administração de Empresas) e Especialização
em Inteligência Competitiva (Engenharia de Produção).

Com experiência profissional adquirida ao longo de uma jornada de mais de 40 anos atuando como: jornalista, redatora de publicidade e editora de jornais e revistas, em agosto de 2021 lançou a Revista Digital Magazine Lifestyle.

Márcia é estrategista de MKT, mentora e coach, atende clientes do Brasil e do exterior (França, Alemanha, Suíça e Estados Unidos) produzindo conteúdos para redes sociais, e.books, brandbooks, apresentações para palestras, mídias kits, press kits, newsletters e muito mais.

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