“Ovos Fabergé”, tesouros da Rússia, exclusivos e sofisticados

A grife Fabergé, fundada em 1842, tornou-se a joalheria oficial do império russo. Conhecidos como “Ovos Fabergé”, as peças eram delicadamente confeccionadas com combinações perfeitas de metais, pedras preciosas e esmaltes, e escondiam sofisticadas miniaturas em seu interior. Os “Ovos Fabergé” são obras-primas no quesito joalheria e eram elaboradas com matérias nobres como: ouro, prata, cobre e platina através da utilização de técnicas de esmaltagem plique-à-jour.

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A técnica de esmaltagem plique-à-jour é considerada extremamente difícil e frágil, pois as peças não possuem um fundo para a proteção do esmalte. Assemelha-se a um vitral em miniatura e tornou-se conhecida na época da Art Noveau. Pequenas células recortadas na superfície metálica são preenchidas com esmalte transparente para gerar o efeito do vitral.

A Fabergé ganhou força em 1884 quando o Czar Alexandre III solicitou ao joalheiro oficial da Corte Imperial Russa, Peter Carl Fabergé, um ovo como presente para sua esposa, a Imperatriz Maria Feodorovna. Não é preciso nem dizer que o artesão dos “ovos de ouro” literalmente abalou a corte com a exuberância e a sofisticação de seu trabalho!

Carl nasceu em 1846. Seu pai era dono de uma empresa próspera, que empregava os melhores artesãos. Ele frequentou renomados espaços sociais, aprendeu alemão e francês, idiomas que eram falados nos salões de São Petersburgo, nos quais o russo era considerado vulgar. Aos 15 anos, seu pai o enviou para uma viagem de conhecimento pela Europa no intuito de que ele se especializasse com os melhores profissionais. Durante três anos, ele visitou museus e viu mil ideias novas. Uma viagem que serviu de base forte em sua formação intelectual e artística.

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1866 foi um grande ano para Carl. Tinha menos de 20 anos quando começou um trabalho voluntário como especialista no Museu Hermitage. Durante 15 anos, restaurou obras antigas e deu sua opinião sobre aquisições e coleções. O curador do museu recomendou a Maison Fabergé para o gabinete imperial, que lhe encomendou joias para o casamento do Czaréviche – o herdeiro do trono e futuro czar Alexandre III.

A partir desse sucesso foi iniciada a tradição dos “Ovos de Fabergé”. A cada ano o Czar encomendava um novo ovo para dar à Czarina na Páscoa, cabendo a Fabergé confeccioná-lo. Com a morte do Imperador, seu filho, o Czar Nicolau II, prosseguiu com a tradição, encomendando a Fabergé dois ovos por ano, um para sua mãe e outro para sua esposa Alexandra.

Os ovos de Fabergé eram únicos. Alguns celebravam temas íntimos da família e outros honravam eventos notáveis do Estado Russo. Eram dotados de pequenos e delicados mecanismos que mostravam o segredo do seu interior. O ovo anual era sempre uma grande surpresa para a família imperial e admirado por toda a Corte, sendo objeto de desejo generalizado.

Por serem exclusivos e sofisticados os “Ovos de Fabergé” tornaram-se peças valiosíssimas. Com cerca de 13 cm, cada ovo levava o ano inteiro para ser confeccionado, desde o desenho original, o corte, a lapidação das pedras e todos os detalhes, envolvendo diversos mestres artesãos da empresa Fabergé. Tudo era feito em absoluto sigilo.

Os ovos foram cuidadosamente guardados junto ao tesouro da família Romanov e cerca de 56 obras-primas foram produzidas de 1885 a 1917. Com a Revolução Russa, o tesouro dos Romanov foi confiscado pelos bolcheviques e dispersado. Não se conhece o paradeiro de todos os ovos de Fabergé feitos para a família imperial. Até 1998, haviam sido localizados 44 destes exemplares. Em 2002, o noticiário internacional divulgou que um ovo imperial foi arrematado num leilão da Christie’s por 9,6 milhões de dólares.

Em 2012,quando um vendedor de sucata do Meio-Oeste dos Estados Unidos comprou um ornamento dourado em um mercado de pulgas, nem passou pela sua cabeça que era o dono de um ovo Fabergé de 20 milhões de dólares oriundo da corte da Rússia Imperial.

Os ovos requintados de Peter Carl Fabergé se tornaram mitológicos desde que foram criados para os czares russos. Só a realeza e bilionários podem ter esperanças de colecioná-los. Entre seus proprietários atuais estão: a rainha Elizabeth, da Inglaterra, e o Kremlin. Mas a grife Fabergé segue sendo inspiração dos grandes estilistas e objeto de desejo de todos que sentem o pulsar da elegância em seu coração.

Imagens: sparkle.com e historyanswers.co.uk

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